A reforma das estruturas temporais – as quais, na Idade Média e em certos ambientes da modernidade, estavam submetidas a Cristo Rei – identifica-se com a expansão do Reinado de Jesus sobre a sociedade civil, e é, na prática, um projeto que visa “chegar a atingir e modificar, pela força do Evangelho, os critérios de juízo, os valores que decidem, os centros de interesse, as linhas pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e os desígnios de salvação.” (Sua Santidade, o Papa Paulo VI. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, de 8 de dezembro de 1975, nº 19) Causa dos problemas contemporâneos é a Revolução cultural anticristã, de caráter gnóstico, laicista, liberal, antropocêntrico e igualitário, que desvincula fé e razão, sociedade religiosa e sociedade civil, Igreja e Estado, esfera espiritual e temporal, culto privado e culto público. “Duas potências vivem e se acham em luta no mundo moderno: a Revelação e a Revolução. Esses dois poderes negam-se reciprocamente, e aqui está o problema fundamental.” (VEUILLOT, Louis. A ilusão liberal, XXIII) Negando-se à benéfica submissão a Jesus Cristo, Rei do Universo, o mundo afunda na loucura em que tudo passa a ser permitido e a natureza é violentada, com leis abortistas e pró-gay, v.g.. “A ruptura entre a ordem espiritual e a ordem racional é o maior problema que o mundo moderno tem a enfrentar.” (DAWSON, C. Religione e Cristianesimo nella Storia della Civiltà, Roma: Paoline, 1984, p. 152)
Somos levados pelos inimigos da Igreja a criticar o período em que a doutrina de Cristo inspirava toda a sociedade. A falsificação da História é das manobras aquela que mais ajudou a que tantos “torçam o nariz” quando se fala na Idade Média. “Na Idade Média os Papas haviam realizado a unidade da Europa sob o regime da Cristandade. No final do século XVIII, a França reúne os homens em torno de um novo tripé fantástico: liberdade, igualdade e fraternidade. É o triunfo da burguesia. A declaração dos direitos do homem, emanada aos 26 de agosto de 1789, condena os velhos abusos e institui o catecismo filosófico da nova ordem. A sociedade se declara oficialmente não-cristã. Começa-se, a partir deste momento, a falar em época pós-cristã.” (GRINGS, D. Dadeus)
A Cristandade foi progressivamente sendo atacada desde o fim da Idade Média. Com o Renascimento, pagão, gnóstico, caracterizado pelo humanismo autônomo – tão condenado pelos Papas e pela Gaudium et Spes –, e a Reforma Protestante, a primeira etapa de um mesmo processo revolucionário.
Segunda etapa será a Revolução Francesa, com todas as funestas teorias iluministas sendo aplicadas e um novo passo igualitário inaugurado. Este estado de coisas conduz ao liberalismo do século XIX e às grandes perseguições do início do século XX.
Por fim, terceira etapa inaugura-se na Revolução Russa de 1917, quando o comunismo – transposição das idéias igualitárias da Reforma e da Revolução Francesa ao campo social e econômico – saiu-se vitorioso. A mesma e única Revolução prepara sua quarta etapa, com a total dessacralização da sociedade e a exclusão completa do Reino de Deus – vide a União Européia sem referência a suas raízes cristãs, o movimento homossexual, a terceira via do socialismo, a Nova Era, o progressismo teológico, o relativismo moral (condenado por João Paulo II na Veritatis Splendor, em reiteração de condenações anteriores), certas tendências panteístas e igualitárias na idéia ecológica, o aborto, o feminismo etc.
Essa idéia de Revolução como uma doutrina, um sistema, já foi demonstrada por Joseph De Maistre, para quem ela era não um acontecimento, mas uma época. Outros pensadores, todos muito católicos e autorizados, sustentam o mesmo. “A Revolução foi um vasto empreendimento premeditado de descristianização e de hostilidade ao Reinado Social de Cristo Rei e de sua Igreja. E os dois séculos que se seguiram continuaram esta obra nefasta: revolta contra Deus e contra os verdadeiros direitos do homem.” (RIFAN, D. Fernando Arêas. Bicentenário da Revolução Francesa, in “Quer Agrade, Quer Desagrade”, Campos: ed. do autor, 1999, p. 113) “Ela é uma doutrina, ou, se se preferir, um conjunto de doutrinas, em matéria religiosa, filosófica, política, social.” (FREPPEL, Mons. Apud RIFAN, D. Fernando Arêas. Bicentenário da Revolução Francesa, in “Quer Agrade, Quer Desagrade”, Campos: ed. do autor, 1999, p. 113). “A Revolução é o ódio de toda ordem social que o homem não estabeleceu e na qual ele não é rei e deus ao mesmo tempo. Ela é a proclamação dos direitos do homem sem preocupação com os direitos de Deus. É a fundação do estado religioso e social sobre a vontade do homem no lugar da vontade de Deus. Ela é a Revolução, quer dizer, destruição, desordem.” (GAUME, Mons. Apud RIFAN, D. Fernando Arêas. Bicentenário da Revolução Francesa, in “Quer Agrade, Quer Desagrade”, Campos: ed. do autor, 1999, pp. 113-114)
“Em outros termos, a Revolução é uma revolta contra Deus e contra Jesus Cristo. Em conseqüência, é revolta contra a Igreja, contra seus ministros, contra o Rei. Como disse o Cardeal Pie, ela tende ‘para uma completa secularização, isto é, para uma ruptura absoluta entre a sociedade leiga e o princípio cristão.’ (...) E porque ela não foi apenas um acontecimento do passado mas um certo estado de espírito, uma doutrina ainda presente nos espíritos e instituições, o combate continua ainda entre a verdadeira Igreja e a Revolução.” (RIFAN, D. Fernando Arêas. Bicentenário da Revolução Francesa, in “Quer Agrade, Quer Desagrade”, Campos: ed. do autor, 1999, p. 114) “Se a Revolução é a desordem, a Contra-Revolução é a restauração da Ordem. E por Ordem entendemos a paz de Cristo no Reino de Cristo. Ou seja, a civilização cristã, austera e hierárquica, fundamentalmente sacral, antiigualitária e antiliberal.” (OLIVEIRA, Plínio Corrêa de. Revolução e Contra-Revolução, 2ª ed., São Paulo: Diário das Leis, 1982, p. 42)
Com a vitória dos satânicos pressupostos da Revolução Francesa, o liberalismo triunfou contra a sadia norma da Cristandade. Já estavam sendo demolidos os pilares da gloriosa Idade Média com o nefasto absolutismo dos monarcas, que, destruindo as elites nobiliárquicas e aristocráticas, pecou contra a subsidiariedade e a liberdade genuína. Em nome de uma falsa liberdade, propugnaram os revolucionários a destruição da ordem estabelecida. Confundiram os abusos absolutistas – que eles mesmos ajudaram a criar com a recuperação dos contra-valores pagãos no Renascimento – com o justo sistema feudal, e assim, para acabar com os primeiros, destruíram o que restava do segundo.
"O martírio não é nada em comparação com a Santa Missa. Pelo martírio, o homem oferece a Deus a sua vida; na Santa Missa, porém, Deus dá o seu Corpo e o seu Sangue em sacrifício para os homens." (Santo Tomás de Aquino)
segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Série: Grandeza Cristã na Idade Média VI - Por Rafael Vitola Brodbeck
Para destruir o Cristianismo medieval, os humanistas agnósticos fizeram o Renascimento, com o fascínio pelo paganismo greco-romano. Desculpavam-se alegando que estavam apenas reinstalando os valores culturais e artísticos do mundo clássico. Mentira! Tais valores não precisavam de resgate, pois foram sempre preservados pela Igreja – a mesma que acusavam de obscurantismo. O movimento renascentista quis trazer, isso sim, tudo aquilo que a evangelização do Império e a queda deste pela invasão dos bárbaros germânicos – com sua posterior organização em reinos próprios, e, na unificação destes em Império por Carlos Magno, rei dos francos, com o estabelecimento da vassalagem – tinha sepultado com a luz do Evangelho: sexualidade desordenada, culto do corpo, dissociação entre fé e vida privada, absolutismo monárquico, utilização do poder religioso para fins profanos, arte como manifestação de vaidade e não mais de serviço ou de propagação do belo, métodos científicos alienados da crença em Deus, mercantilismo, escravidão. Tudo o que não existia na Idade Média pelo primado da Igreja foi recuperado por esses neopagãos.
Com efeito, apresentou-se como pretexto para o Renascimento a revalorização da cultura clássica. Note-se que o motivo é descaradamente mentiroso. Muitos de boa-fé, concedemos, estavam realmente interessados na promoção das artes. Todavia, a cultura clássica nunca esteve morta na Idade Média, como falsamente alardeavam os renascentistas. Pelo contrário, a filosofia, a arte, a literatura, o Direito, a estética do Medievo foram moldadas no classicismo – iluminado pela fé cristã. De Roma e da Grécia mantiveram os bárbaros invasores costumes e instituições, e os medievais não cessaram de promovê-los. O Pe. Alfred Sáenz, SJ, com muita propriedade, explica que não foram “os chamados ‘renascentistas’ os que voltaram a descobrir a Antigüidade. A Idade Média já conhecia e admirava os tempos clássicos. A diferença é que aqueles iniciaram um movimento de retorno à Antigüidade ‘pagã’, enquanto os medievais a assumiram relendo-a à luz do cristianismo.” (SÁENZ, Pe. Alfredo, SJ. La Cristiandad. Una realidad histórica. Pamplona: Gratis Date, 2005, p. 12)
O que, realmente, da Hélade e da România, não permaneceu foram certos institutos e hábitos incoerentes em face do Cristianismo que triunfou e sabiamente governou a Idade Média. Podemos dizer que os valores positivos greco-romanos permaneceram, ao passo em que os negativos foram logicamente postos de lado, por sua evidente incompatibilidade com a doutrina de Cristo.
Em nome da ressurreição da cultura clássica – que, vimos, não morreu na Idade Média, o que torna absurdo qualquer “renascimento” (só renasce quem morreu) –, a Renascença fez voltar, isso, os contra-valores. O que era bom no classicismo não pereceu no Medievo, ao contrário do que alegam os renascentistas. Tal perecimento inexistente foi criado por mentes perversas para, sob esta mentirosa alegação, revitalizar o que de ruim há tinha sido morto pelo Cristianismo. Percebe-se, nisso, a “coincidência” histórica: no Renascimento apareceram idéias típicas da Antigüidade, como o despotismo dos monarcas, o centralismo estatal, a escravidão, o racismo, o nacionalismo exagerado, o mercantilismo. Todos esses pontos da cultura clássica, tremendamente imorais, negativos, não existiam na Idade Média, justamente pela ação da Igreja, que soube separar o bem do mau dentre as manifestações da Antigüidade.Assim, em vez de despotismo, havia, em geral, a consciência da monarquia como serviço; ao centralismo opôs-se a subsidiariedade no seu modelo máximo: o feudalismo; à escravidão a sociedade hierárquica mas harmônica; ao racismo a fraternidade cristã em sua igualdade essencial (embora desigual nos acidentes, no que se baseia a hierarquia); ao nacionalismo o universalismo europeu; ao mercantilismo a idéia de solidariedade. Claro que isso tudo num plano ideal, eis que, como em qualquer agrupamento humano, houve abusos – em número muito menor, diga-se de passagem, do que os propalados pelos detratores da Idade Média.No período medieval, os valores clássicos positivos foram preservados. A partir da Renascença somam-se a estes os negativos, trazidos pelo antropocentrismo e pelo nascente racionalismo.
Da Renascença ao absolutismo monárquico foi um passo. Idéia clássica, ausente na Idade Média – essencialmente descentralizadora e fiel à subsidiariedade, haja vista o sistema o feudal –, o poder absoluto dos reis é um pensamento que obviamente foi gerado pela intelectualidade renascentista. E quando, descontentes com essa imoralidade que fazia do rei uma espécie de dono da sociedade, e do Estado uma extensão da propriedade privada, alguns iniciaram suas justas críticas a esse status quo, não permitiram os liberais que se voltasse ao regime da Cristandade , que tantos benefícios patrocinara. A contrário senso, conduziram tudo para que a sociedade desse outro passo em direção ao abismo: e venceu a Revolução Francesa, a qual não apenas removeu o nefasto absolutismo. Senão, com ele, muitos traços da ordem social católica que ainda persistiam, teimosamente, a despeito de todos os malefícios renascentistas que se lhe infligiam. “Laicizar o Evangelho e conservar as aspirações humanas do cristianismo suprimindo a Cristo: tal é o essencial da Revolução. Rousseau consumou a operação inaudita, começada por Lutero, de inventar um cristianismo separado da Igreja de Cristo; ele é quem acabou de naturalizar o Evangelho; é a ele a quem devemos esse cadáver de idéias cristãs cuja imensa putrefação envenena hoje o universo.” (MARITAIN, Jacques. Tres reformadores, Buenos Aires: Ed. Santa Catalina, 1945, pp. 171-172) Por isso é que a Joseph de Maistre denomina a Revolução de essencialmente satânica (cf. DE MAISTRE, Joseph. Du Pope, in “Oeuvres choisies”, Paris: A. Roger et F. Chernoviz Éditeurs, 1909, pp. 41). E Mons. Freppel, ao explicar a Revolução Francesa, demonstra como, mais do que uma ação política, “é uma doutrina e uma doutrina radical, uma doutrina que é a antítese absoluta do cristianismo.” (FREPPEL, D. Charles Emile. La Révolution Française, Paris: Editions du Trident, réédition, 1997, p. 21)
Por meio de sucessivos atos, foram se desenvolvendo os tentáculos da Revolução. Da queda dos valores medievais pelo Renascimento foi-se ao estabelecimento de um igualitarismo racionalista, que odiava a fé, e que, por sua vez, favoreceu a terrível descristianização que vemos hoje. O “Cristo sim, Igreja não” de Lutero mudou-se em “Deus sim, Cristo não” dos iluministas, e este, por sua vez, em “Nem Igreja, nem Cristo, nem Deus” dos marxistas. “Sabeis que tal impiedade não amadureceu num único dia, mas há muito tempo estava incubada nas vísceras da sociedade. Na verdade, começou-se por negar o império de Cristo sobre todos os povos: negou-se à Igreja o direito – que emana do direito de Jesus Cristo – de ensinar os povos, de fazer leis, de governar os povos para os conduzir à eterna felicidade. E pouco a pouco a religião cristã foi igualada a outras religiões falsas e indecorosamente rebaixada ao nível destas; em conseqüência, foi submetida ao poder civil e foi deixada quase ao arbítrio dos príncipes e magistrados; indo mais além, houve quem pensasse substituir por certo sentimento religioso natural a religião de Cristo. Não faltavam Estados os quais julgaram poder dispensar-se de Deus, pondo a sua religião na irreligião e no desprezo do próprio Deus.” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII, Encíclica Annum Sacrum, de 15 de maio de 1889)
O grande pensador espanhol Ortega y Gasset faz lúcida análise da crise que se abateu sobre a Cristandade, a qual se estende até os dias de hoje com a imoralidade e o ateísmo prático. No seu “Em Torno a Galileu” demonstra a referida crise como situada concretamente no Renascimento, a partir do qual “à figura do mundo vigente em uma geração, sucede uma outra figura do mundo algo diferente. Ao sistema de convicções para agir, sucede um outro.” (ORTEGA Y GASSET, J. Obras Completas, tomo V, Madri: Revista de Occidente, 1962, p. 69)
Série: Grandeza Cristã na Idade Média VII - Por Rafael Vitola Brodbeck
“Com a modernidade começa a gastar-se no mundo ocidental a cosmovisão antropocêntrica que, há mais de dois séculos, vem configurando uma cultura de tipo prometeico, cujo objeto é a autolibertação absoluta do homem frente à natureza e Deus. A cosmovisão antropocêntrica absolutiza a totalidade do homem enquanto realidade criadora do mundo e se apóia na primazia do progresso técnico-científico, que, por sua vez, se impõe como único critério do processo cultural.” (CHEUICHE, D. Fr. Antônio do Carmo, OCD. Cultura e Evangelização, Porto Alegre: EDIPUCRS, 1995, p. 122)
Para a Igreja, a Idade Moderna, caracterizada sobretudo pelo Renascimento e pela Reforma Protestante, foi uma época de crise, pela qual, à semelhança de uma ponte, o mundo caminhou ao Iluminismo e à vitória dos liberais na Revolução de 1789. É bem verdade que a Idade Moderna ainda conservaria traços de cristianismo bem vivos, como se nota na evangelização da América, nas grandes espiritualidades que se desenvolveram no período – os jesuítas de Santo Inácio de Loyola, a reforma do Carmelo por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, a popularização da devoção ao Coração de Jesus por São Cláudio de la Colombière, as famílias espirituais fundadas por São Francisco de Sales, por Santa Joana de Chantal, por São Vicente de Paulo e por Santa Luísa de Marillac etc –, na arquitetura eclesiástica. A Renascença não tinha perdido, de todo, o ethos católico. “Poder-se-ia dizer que a Idade Média”, pontifica Berdiaeff, “havia preservado as forças criadoras do homem e preparado o florescer esplêndido do Renascimento. O homem penetrou no Renascimento com a experiência e a preparação medievais. E tudo o que houve de autêntica grandeza no Renascimento, estava vinculado com a Idade Média cristã.” (BERDIAEFF, NICOLAS. Una nueva Edad Media, Barcelona: Apolo, 1934, p. 25)
Todavia, tais traços de fé cristã iam pouco a pouco se apagando nos ambientes temporais, ao mesmo tempo em que os verdadeiros católicos a eles se apegavam para explicitar sua adesão plena à Igreja, em um combate que será travado amplamente no século XIX. “O novo espírito que inicia a descristianização moderna da Europa traz também consigo uma admiração nova pela Antigüidade pagã greco-romana. A Idade Média, evidentemente, conhecia e apreciava a Antigüidade, porém, ainda que a assumisse em boa parte, considerava-a superada pelas grandes sínteses da Cristandade posterior. O Renascimento, pelo contrário, estima a Antigüidade como uma era de ouro, ao mesmo em que desvaloriza a Idade Média.” (IRABURU, Pe. José Maria. Hechos de los Apóstoles de América, 3ª ed., Pamplona: Fundación Gratis Date, 2003, p. 101) Daí surge a lenda negra, tentativa anticatólica de falsificação da Idade Média, e de considerar eventuais abusos em tal período cometidos como normais e corriqueiros – e mesmo como aceitos. Tempo tão pleno do Evangelho, que, segundo os Papas, governava os Estados , precisava ser alvo de campanhas difamatórias e mentirosas por parte dos que odiavam a Igreja, se quisessem estes ver seus planos vitoriosos.
Fonte: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=55975&tid=2560771280547206494&kw=idade+m%C3%A9dia&na=1&nst=1
sábado, 24 de julho de 2010
Bispo de Guarulhos diz que não recuará em mobilização contra Dilma
Pivô da polêmica mobilização contra Dilma Rousseff, o bispo de Guarulhos (SP), Dom Luiz Gonzaga Bergonzini afirma que não recuará e levará sua manifestação de veto à presidenciável às missas e celebrações das 37 paróquias da cidade.
Ele considera o PT favorável à descriminalização do aborto e divulgou artigo recomendando aos católicos que boicotem a petista.
Governado desde 2001 pelo PT, o município é o segundo colégio eleitoral do Estado, com 788 mil votantes. A campanha informal alicerçada na diocese desagradou o prefeito Sebastião Almeida.
"Sou católico e respeito a posição do religioso. Mas não posso concordar com a transformação de uma posição doutrinária da Igreja Católica em apoio ou rejeição a qualquer candidato."
Em entrevista à Folha, Dom Luiz Gonzaga, 74 anos, diz não ter nada pessoal contra a candidata, mas é irredutível, mesmo após as recorrentes negativas da ex-ministra da Casa Civil.
"Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não."
Leia os principais trechos da entrevista concedida pelo bispo.
Folha - Mesmo com a recomendação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pela neutralidade na campanha, o senhor decidiu explicitar sua posição contrária à candidata Dilma Rousseff. Por quê?
D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Em primeiro lugar, que recomendação é essa? A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o mandamento "não matarás". Não tem esse negócio de "meio termo".
Folha - A candidata afirma que não defende a descriminalização do aborto. Mesmo assim, o senhor cita o nome dela no artigo.
Dom Luiz - Ela [Dilma] segue o partido, ela é a candidata. Então eu vou matar a cobra na cabeça. Pessoalmente não tenho nada contra ela. Mas o direito à vida é o maior direito humano. O aborto é atitude covarde e criminosa. Eu não arredo o pé, não.
Folha - Como o senhor concluiu que ela tem essa posição? Isso nunca ficou claro e ela nega.
Dom Luiz - É o terceiro plano de governo que ela adota. Como percebeu que havia reação, foi mudando. Não vou recuar.
Folha - O senhor pretende levar ao conhecimento dos fiéis da diocese essa recomendação de não votar na candidata Dilma?
Dom Luiz - Os padres devem notificar ao povo a orientação do bispo. Eu não vou arredar o pé, não importa as consequências que eu venha sofrer, mas o que importa é minha consciência e seguir o Evangelho. Eu não tenho medo. O que pode acontecer? Deus saberá.
Folha - Inclusive nas missas, os padres vão tratar do tema? Vão citar o nome da candidata?
Dom Luiz - Tratar do tema, não. Podem citar o nome dela, porque vou mandar uma carta para os padres notificarem as pessoas da minha recomendação nas missas. Como cidadão, tenho direito de expressar minha opinião e, como bispo, tenho a obrigação de orientar os fiéis.
Folha - O senhor teme algum tipo de retaliação ou reação negativa, seja por parte da CNBB ou de partidários da candidata Dilma?
Dom Luiz - Sempre tem alguma coisa. Tenho recebido muitos e-mails. Não sei se são ameaças, mas contestando. Mas posso te dizer que muitos de apoio. As pessoas dizem: "finalmente alguém que usa calça comprida resolveu reagir"
Fonte: Folha de S. Paulo
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus
Por: D. Luiz Gonzaga Bergonzini - Bispo de Guarulhos
Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.
Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).
Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.
Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.
D. Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo de Guarulhos
Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.
Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César. Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir- se ao estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.
Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
Na condição de Bispo Diocesano, como r e s p o n s á v e l pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que - por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus,como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender. A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se Ex. 20,13; MT 5,21).
Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam.
Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.
D. Luiz Gonzaga Bergonzini
Bispo de Guarulhos
sexta-feira, 16 de julho de 2010
LISTA DOS PAPAS MARTIRIZADOS
VEJA QUE ENTRE OS SANTOS E TESTEMUNHAS DE JESUS QUE TIVERAM SEU SANGUE DERRAMADO, ESTAVAM OS PAPAS QUE ERAM MORTOS PELOS IMPERADORES, QUANDO ROMA NÃO ERA AINDA CRISTÃ
Século I
1º Papa – S. Pedro – bispo de Roma no período de 37 a 67 morto por Nero – imperador no período de 41 a 68
2º Papa – S. Lino – de 69 a 79 morto por Vespasiano – de 69 a 79
3º Papa – S. Cleto – de 79 a 92 morto por Domiciano – de 81 a 96
Século II
4º Papa – S. Celemente – de 92 a 101 morto por Trajano – de 98 a 117
5º Papa – St. Evaristo – de 101 a 107 morto por Trajano
6º Papa – St. Alexandro – de 107 a 116 morto por Trajano
7º Papa – S. Xisto – de 116 a 125 morto por Adriano – de 117 a 138
8º Papa – S. Telésforo – de 125 a 138 morto por Adriano
9º Papa – St. Higino – de 138 a 142 morto por Antonino – de 138 a 161
10º Papa – S. Pio I – de 142 a 155 morto por Antonino
11º Papa – St. Aniceto – de 155 a 166 morto por M. Aurélio de – 161 a 180
12º Papa – S. Sotero – de 166 a 174 morto pro M. Aurélio
13º Papa – St. Eleotério – de 174 a 189 morto por Comodo de 180 a 193
14º Papa – S.Vitor I – de 189 a 199 morto por S. Severo – de 193 a 211
Século III
15º Papa – S. Zeferino – de 199 a 217 morto por Caracala – de 211 a 217
16º Papa – S. Calixto I – de 217 a 222 morto por Heliogabalo de 218 a 222
17º Papa – St.Urbano I – de 222 a 230 morto por A. Severo de 222 a 235
18º Papa – S. Ponciano – de 230 a 235 morto por Alexandre Severo
19º Papa – St. Antero – de 235 a 236 morto por Maximino de 235 a 238
20º Papa – S. Fabiano de 236 a 250 morto por Décio de 249 a 251
21º Papa – S. Cornélio – de 251 a 253 morto por Treboniano – de 251 a 253
22º Papa – S. Lúcio – de 253 a 254 morto por Valeriano – de 253 a 260
23º Papa – St. Estêvão – de 254 a 257 morto por Valeriano
24º Papa – S. Xisto II – de 257 a 258 – Morto por Valeriano
25º Papa – S. Dionísio – de 259 a 268 – Não sofreu o martírio
26º Papa – S. Félix – de 269 a 274 – morto por Aureliano – de 270 a 275
27º Papa – S. Eutiquiano – de 275 a 283 – não sofreu o martírio
28º Papa – S. Caio – de 283 a 293 – Não sofreu o martírio
Século IV
29º Papa – S. Marcelino – de 296 a 304 – Não sofreu o martírio
30º Papa – S. Marcelo I – de 308 a 309 – morto por Constâncio de 305 a 311
31º Papa – St. Euzébio – de 309 a 310 – desterrado por Maxêncio
32º Papa – S. Melquíades – de 311 a 314 – Este não foi morto – Já reinava Constantino I, o Grande – O primeiro imperador cristão.Logo, “os Santos e Testemunhas de Jesus” de que fala a bíblia eram principalmente os Papas, líderes dos cristãos.
Isso elimina definitivamente a calúnia protestante, que malandramente coloca os Papas como “matadores”.
Século I
1º Papa – S. Pedro – bispo de Roma no período de 37 a 67 morto por Nero – imperador no período de 41 a 68
2º Papa – S. Lino – de 69 a 79 morto por Vespasiano – de 69 a 79
3º Papa – S. Cleto – de 79 a 92 morto por Domiciano – de 81 a 96
Século II
4º Papa – S. Celemente – de 92 a 101 morto por Trajano – de 98 a 117
5º Papa – St. Evaristo – de 101 a 107 morto por Trajano
6º Papa – St. Alexandro – de 107 a 116 morto por Trajano
7º Papa – S. Xisto – de 116 a 125 morto por Adriano – de 117 a 138
8º Papa – S. Telésforo – de 125 a 138 morto por Adriano
9º Papa – St. Higino – de 138 a 142 morto por Antonino – de 138 a 161
10º Papa – S. Pio I – de 142 a 155 morto por Antonino
11º Papa – St. Aniceto – de 155 a 166 morto por M. Aurélio de – 161 a 180
12º Papa – S. Sotero – de 166 a 174 morto pro M. Aurélio
13º Papa – St. Eleotério – de 174 a 189 morto por Comodo de 180 a 193
14º Papa – S.Vitor I – de 189 a 199 morto por S. Severo – de 193 a 211
Século III
15º Papa – S. Zeferino – de 199 a 217 morto por Caracala – de 211 a 217
16º Papa – S. Calixto I – de 217 a 222 morto por Heliogabalo de 218 a 222
17º Papa – St.Urbano I – de 222 a 230 morto por A. Severo de 222 a 235
18º Papa – S. Ponciano – de 230 a 235 morto por Alexandre Severo
19º Papa – St. Antero – de 235 a 236 morto por Maximino de 235 a 238
20º Papa – S. Fabiano de 236 a 250 morto por Décio de 249 a 251
21º Papa – S. Cornélio – de 251 a 253 morto por Treboniano – de 251 a 253
22º Papa – S. Lúcio – de 253 a 254 morto por Valeriano – de 253 a 260
23º Papa – St. Estêvão – de 254 a 257 morto por Valeriano
24º Papa – S. Xisto II – de 257 a 258 – Morto por Valeriano
25º Papa – S. Dionísio – de 259 a 268 – Não sofreu o martírio
26º Papa – S. Félix – de 269 a 274 – morto por Aureliano – de 270 a 275
27º Papa – S. Eutiquiano – de 275 a 283 – não sofreu o martírio
28º Papa – S. Caio – de 283 a 293 – Não sofreu o martírio
Século IV
29º Papa – S. Marcelino – de 296 a 304 – Não sofreu o martírio
30º Papa – S. Marcelo I – de 308 a 309 – morto por Constâncio de 305 a 311
31º Papa – St. Euzébio – de 309 a 310 – desterrado por Maxêncio
32º Papa – S. Melquíades – de 311 a 314 – Este não foi morto – Já reinava Constantino I, o Grande – O primeiro imperador cristão.Logo, “os Santos e Testemunhas de Jesus” de que fala a bíblia eram principalmente os Papas, líderes dos cristãos.
Isso elimina definitivamente a calúnia protestante, que malandramente coloca os Papas como “matadores”.
O Poder do Santo Rosário
1. Introdução - O poder do Santo Rosário na vida do Papa João Paulo II
O pontificado do saudoso Papa João Paulo II, gloriosamente reinante de 1978 a 2005, foi muito marcado pela ênfase que deu à dois elementos fundamentais da fé católica: a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia e a devoção à Santíssima Virgem.
Foi nesta linha que proclamou, nos seus últimos anos de pontificado, o Ano do Rosário (de Outubro de 2002 à Outubro de 2003) e o Ano da Eucaristia (de Outubro de 2004 a Outubro de 2005), acrescentando no Santo Rosário a contemplação dos Mistérios da Luz, onde se acompanha Nosso Senhor Jesus Cristo desde o seu batismo no Rio Jordão até a instituição do Santíssimo Sacramento.
São belíssimas as palavras do Papa João Paulo II sobre o Rosário: "O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro Milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. (...) O Rosário, de fato, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica. Muitos dos meus Predecessores atribuíram grande importância a esta oração. (...) Eu mesmo não descurei ocasião para exortar à frequente recitação do Rosário. Desde a minha juventude, esta oração teve um lugar importante na minha vida espiritual. Trouxe-mo à memória a minha recente viagem à Polônia, sobretudo a visita ao Santuário de Kalwaria. O Rosário acompanhou-me nos momentos de alegria e nas provações. A ele confiei tantas preocupações; nele encontrei sempre conforto. Vinte e quatro anos atrás, no dia 29 de Outubro de 1978, apenas duas semanas depois da minha eleição para a Sé de Pedro, quase numa confidência, assim me exprimia: <
2. O poder do Santo Rosário nos escritos dos santos
O poder do Santo Rosário, fundamentado na contemplação dos Mistérios de Nosso Senhor e na intercessão da Santíssima Virgem, nos é precisado, entre os santos canonizados pela Santa Igreja, sobretudo por dois grandes devotos da Mãe de Deus, que são Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Santa Igreja, e São Luiz Maria Montfort, autor do famoso "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem".
Escreve Santo Afonso de Ligório; a respeito da intecercessão da Virgem Maria: "É impossível a tão benigna Rainha ver a necessidade de uma alma, sem ir em seu auxílio. Esta grande compaixão de Maria para com nossas misérias a leva a nos socorrer e consolar, mesmo quando não a invocamos. É o que mostrou durante sua vida, nas bodas de Caná. (...) Se Maria é tão pronta em ajudar, mesmo sem ser rogada, quanto mais o será para consolar que a invoca e a chama em seu auxílio?" ("Glórias de Maria", cap. IV) E acrescenta: "Que seja Jesus Cristo o único Mediador de justiça, a reconciliar-nos com Deus, pelos seus merecimentos, quem o nega? Não obstante isto, compraz-se Deus em conceder-nos suas graças pela intercessão dos santos e especialmente de Maria, sua Mãe, a quem tanto deseja Jesus ver amada e honrada. (...) O que, porém, temos em vistas provar é que esta intercessão é também necessária à nossa salvação. Necessária sim, não absoluta, mas moralmente falando, como deve ser. A origem desta necessidade está na própria Vontade de Deus, o qual pelas mãos de Maria quer que passem todas as graças que nos dispensa. (...) Querendo exaltá-la de um modo extraordinário, determinou por isso o Senhor que por suas mãos hajam de passar e sejam concedidas todas as mercês dispensadas às almas remidas. (...) Não há dúvida, confessamos que Jesus Cristo é o único medianeiro de justiça, porque por seus méritos nos obtém a graça e a salvação. Mas ajuntamos que Maria é medianeira de graças, e como tal pede por nós em nome de Jesus Cristo e tudo nos alcança pelos méritos dele. Assim, pois, a intercessão de Maria, devemos de fato, todas as graças que solicitamos. (...) Assim o demônio envida todos os esforços para acabar com a devoção a Mãe de Deus nas almas. Pois, cortado esse canal de graças, muito fácil lhe torna a conquista.” (Glórias de Maria, cap. V)
Sobre a oração da Ave-Maria e do Santo Rosário, Santo Afonso escreve: "Muito agrada à Santíssima Virgem a saudação angélica. Por ela lhe renovamos a alegria que sentiu quando São Gabriel anunciou que fora eleita para Mãe de Deus. Nessa intensão devemos saudá-la muitas vezes com a Ave-Maria. Saudai-a com a Ave-Maria, diz Tomás de Kempis, porque ela gosta muita dessa saudação. Que não lhe podemos dirigir saudação mais agradável, do que a Ave-Maria, disse-o a Virgem a Santa Matilde. Por ela será também saudado todo aquele que a saúde. São Bernardo, certa ocasião, ouviu de uma estátua da Senhora as palavras: Eu te saúdo, Bernardo! Ora, a saudação de Maria consiste sempre em alguma nova graça, diz Conrado de Saxônia. Pergunta Ricardo: É possível que Maria recuse mais uma graça a quem dela se aproxima e lhe diz: Ave, Maria? A Santa Gertrudes a Mãe de Deus prometeu a Mãe de Deus tantos auxílios na hora de morte, quantas Ave-Maria lhe houvesse recitado em vida. Alano de Rupe afirma que, ao ouvir essa saudação angélica, alegra-se o céu, treme o inferno e foge o demônio. Com efeito, atesta-o Tomás de Kempis, pois com uma Ave-Maria pôs em fuga o demônio que lhe aparecera." (...) "Atualmente, não há devoção mais praticada pelos fiéis de toda classe, do que esta do Santo Rosário. (...) É assaz notório o bem que trouxe ao mundo esta augusta devoção. Quantos, por meio dela, têm sido livres dos pecados! Quantos conduzidos a uma vida santa! Quantos, depois de uma boa morte, foram por ela salvos! (...) É preciso recitar o terço com devoção, sem esquecer o que a Santíssima Virgem disse a Santa Eulália. Cinco dezenas, disse-lhe a Senhora, recitadas com pausa e devoção, me são mais agradáveis do que quinze, ditas às pressas e com menor devoção. Por isso, é bom recitá-lo de joelhos, diante de uma imagem da Virgem, e fazer no princípio de cada dezena um ato de amor a Jesus e Maria, pedindo-lhe alguma graça. Note-se também que é melhor recitar o Rosário em comum do que só." (Glórias de Maria, Tratado VI)
Já São Luis Montfort escreve: "Foi preciso que a Santíssima Virgem aparecesse várias vezes a grandes santos muito doutos, para demonstrar-lhes o mérito desta pequena oração, como sucedeu a S. Domingos, a S. João Capistrano, ao bem-aventurado Alano de la Roche. E eles compuseram livros inteiros sobre as maravilhas e a eficácia da Ave-Maria, para conversão das almas. Altamente publicaram e pregaram que a salvação do mundo começou pela Ave-Maria, e a salvação de cada um em particular está ligada a esta prece; que foi esta prece que trouxe à terra seca e árida o fruto da vida, e que é esta mesma prece que deve fazer germinar em nossa alma a palavra de Deus e produzir o fruto de vida, Jesus Cristo (...) Aprendei que a Ave-Maria é a mais bela de todas as orações, depois do Pai-Nosso. É a saudação mais perfeita que podeis fazer a Maria, pois é a saudação que o Altíssimo indicou a um arcanjo, para ganhar o coração da Virgem de Nazaré. E tão poderosas foram aquelas palavras, pelo encanto secreto que contêm, que Maria deu seu pleno consentimento para a Encarnação do Verbo, embora relutasse em sua profunda humildade. É por esta saudação que também vós ganhareis infalivelmente seu coração, contanto que a digais como deveis. A Ave-Maria, rezada com devoção, atenção e modéstia, é, como dizem os santos, o inimigo do demônio, pondo-o logo em fuga, e o martelo que o esmaga; a santificação da alma, a alegria dos anjos, a melodia dos predestinados, o cântico do Novo Testamento, o prazer de Maria e a glória da Santíssima Trindade. A Ave-Maria é um orvalho celeste que torna a alma fecunda; é um beijo casto e amoroso que se dá em Maria, é uma rosa vermelha que se lhe apresenta, é uma pérola preciosa que se lhe oferece, é uma taça de ambrosia e de néctar divino que se lhe dá. Todas estas comparações são de santos ilustres. Rogo-vos instantemente, pelo amor que vos consagro em Jesus e Maria, que não vos contenteis de recitar a coroinha da Santíssima Virgem, mas também o vosso terço, e até, se houver tempo, o vosso rosário, todos os dias, e abençoareis, na hora da morte, o dia e a hora em que me acreditastes; e, depois de ter semeado sob as bênçãos de Jesus e de Maria, colhereis bênçãos eternas no céu." (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 252-254)
3. O poder do Santo Rosário nas revelações particulares
Em Lourdes (França), onde em 1854 a Santíssima Virgem apareceu à Santa Bernadete, ela trazia nas mãos um Rosário com as contas cor de ouro, e pedia: "Reza pelos pecadores, pelo mundo tão revolto." Estas aparições foram oficialmente aprovadas pela Santa Igreja.
Em suas aparições de Fátima (Portugal, 1917), também oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, a Santíssima Virgem pediu: "Rezai o terço todos os dias, para alcançar a paz para o Mundo e o fim da guerra."
Também em suas manifestações em Akita (Japão, 1973), também oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, revelou: "As únicas armas que nos restarão então serão o Rosário e o Sinal deixado pelo Meu Filho. Rezem cada dia as orações do Rosário. Com o Rosário, rezem pelo Papa, pelos Bispos e pelos sacerdotes. (...) Reze muito as orações do Rosário. Eu sozinha ainda sou capaz de salvar vocês das calamidades que se aproximam. Aqueles que colocarem sua confiança em mim serão salvos." (13/10/1973)
Também no Brasil falou à Santíssima Virgem em suas aparições em Congonhol-MG (1987-1988), em mensagens com aprovação expressa para divulgação por parte do Bispo Local (o saudoso Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho): "O Rosário que você reza com a comunidade é milagroso. Avisa para colocarem seus pedidos sobre o altar." (03/08/1987) "Coloque o Terço na mão. Tudo se consegue com o Terço na mão." (07/09/1987) "Estou inquieta em ver tantos filhos meus que caminham para a perdição. (...) Rezem todos os dias o Rosário para que Jesus tenha compaixão deles e que possam se salvar também." (23/09/1987)
Já Nosso Senhor, falando à Irmã Amália, religiosa estigmatizada brasileira (Campinas-SP, à partir de 1930), revelou em mensagens com aprovação expressa para divulgação por parte do Bispo local (o saudoso Dom Francisco de Campos Barreto): “Amados filhos que todos os dias repetis com amor a Ave Maria, a saudação à Virgem. (...) Amados filhos, se pudésseis ver como os anjos saúdam Maria no céu; com amor, reverentes e em santa alegria aos seus pés se colocam para cumprir as ordens da Mãe amável. Maria quando recebe veneração e homenagem, imediatamente olha para vós que ainda estais na terra, e diz: “Se todos os meus filhos me louvassem com a Ave-Maria, nenhum deles se perderia!” Porque quem saúda Maria com a Ave-Maria, predispõe o seu coração para receber o derramamento de minhas graças. Maria é cheia de graça, porque foi escolhida para ser minha Mãe, portanto tem nas suas mãos os tesouros do Paraíso, dos quais pode dispor em vosso benefício. Mas se recebeis pouco, quando dizeis a Ave-Maria, é porque rezais sem atenção. Não é a quantidade que agrada a Maria, mas sim a qualidade. (...) Filhos, se pudésseis compreender o valor desta saudação bem rezada! Aproveitai! Não desperdiceis vosso tempo e rezai bem! Se assim fizerdes, na hora da vossa morte estareis repletos de graças, para poderdes entrar na vossa pátria, que é o Paraíso. (...) Na verdade, Ela tudo pode, porque tem nas suas mãos os tesouros de meu Coração, e é a distribuidora de meus dons divinos. Se alguém desejar receber prontamente, peça-me por Maria, porque é por meio dela que dou em abundância meus tesouros. Foi por meio de Maria, que desci ao mundo e vos abri as portas do Paraíso. É por Maria que dou às almas de boa vontade o que me pedem. Vinde, porque Ela vos conduzirá a Mim! Amados filhos, animo-vos a rezar bem a oração angélica, que poderia se chamar saudação divina, porque toda ela foi ditada pelo nosso amor. Vinde a Ela com confiança e amor, por meio desta belíssima oração, composta pela Trindade, para saudar a nossa amada, Maria. Rezai com amor, alegria e com confiança filial a oração angélica. Tereis o meu Amor nos vossos corações." (19/08/1931)
4. Como rezar o Santo Rosário
Expomos, abaixo, a forma como o Rosário é tradicionalmente rezado.
No início, reza-se:
Sinal da Cruz
"Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém."
Creio
"Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém."
Pai Nosso
"Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o Vosso Nome; venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal. Amém."
Ave Maria (três vezes, em honra a cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade)
"Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do Vosso Ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém."
Glória ao Pai
"Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém."
Oração ensinada pela Santíssima Virgem em Fátima
"Oh meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai todas as almas para o Céu; e socorrei principalmente as que mais precisarem."
Em cada dezena, contempla-se o mistério correspondente e reza-se um Pai-Nosso, dez Ave-Maria, um Glória e a oração de Fátima.
Os mistérios a serem contemplados são os Mistérios Gozosos, Gloriosos, Luminosos e Gloriosos. Se é rezado apenas um "terço" do Rosário, reza-se os Mistérios correspondentes ao dia (após serem recentemente acrescentados os Mistérios Luminosos, o "terço" tornou-se a Quarta parte do Rosário).
Primeiro terço: Mistérios Gozosos
(Segundas e Sábados)
1o. Mistério: Anunciação do Arcanjo Gabriel à Santíssima Virgem e o Mistério da Encarnação
2o. Mistério: Visita da Santíssima Virgem a sua prima Santa Isabel
3o. Mistério: Nascimento do Menino Jesus na pobre gruta de Belém
4o. Mistério: Apresentação do Menino Jesus no Templo
5o. Mistério: Jesus é perdido e encontrado no Templo
Segundo terço: Mistérios Dolorosos
(Terças e Sextas)
1o. Mistério: Sofrimento de Nosso Senhor no Horto das Oliveiras
2o. Mistério: Flagelação de Nosso Senhor
3o. Mistério: Nosso Senhor coroado de espinhos
4o. Mistério: Nosso Senhor carregando a Cruz 5o. Mistério: Crucificação de Nosso Senhor
5o Mistério: Crucificação de Jesus - Pai Nosso, dez Ave Maria, Glória ao Pai, jaculatória de Fátima
Terceiro terço: Mistérios Luminosos
(Quintas)
1o Mistério: Batismo de Nosso Senhor no Rio Jordão
2o Mistério: Nosso Senhor realiza seu primeiro milagre pela intercessão da Santíssima Virgem
3o Mistério: Nosso Senhor anuncia o Reino de Deus e chama à conversão
4o Mistério: Transfiguração de Nosso Senhor no Monte Tabor
5o Mistério: Nosso Senhor institui o Santíssima Sacramento
Quarto Terço: Mistérios Gloriosos
(Quartas e Domingos)
1o. Mistério: Gloriosa Ressurreição de Nosso Senhor
2o Mistério: Gloriosa Ascensão de Nosso Senhor
3o Mistério: Vinda do Espírito Santo sobre a Santíssima Virgem e os Santos Apóstolos em Pentecostes
4o Mistério: Gloriosa Assunção da Santíssima Virgem
5o Mistério: Gloriosa Coroação da Santíssima Virgem como Rainha do Céu e da Terra
Ao final do Rosário, reza-se:
Salve Rainha
"Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, Vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre virgem Maria! Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo."
5. Conclusão
Diante de tudo isso, fica claro que o Santo Rosário, sendo uma oração essencialmente cristológica, como afirma o saudoso Papa João Paulo II, é ao mesmo tempo uma das mais tradicionais formas de devoção à Santíssima Virgem que a Santa Igreja conhece.
São Luis Montfort assim recomenda que ofereçamos a oração do Rosário: "Uno-me a vós, meu Jesus, para louvar dignamente vossa Santa Mãe, e louvar-vos a vós, Nela e por Ela." Se rezarmos o Rosário nesta intenção, ao mesmo tempo que entregamos em oração os nossos pedidos particulares, não resta dúvidas de que estaremos agradando o céu, e recebendo muitas e muitas graças, para nós e para aqueles por quem nós orarmos!
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Dalits indianos à Igreja: “vocês são nossos salvadores”
Maioria é composta de não cristãos
ROMA, domingo, 4 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O arcebispo William D'Souza, de Patna, no norte da Índia, destacou a atuação dos grupos ligados à Igreja no fornecimento de auxílio de emergência a centenas de milhares de “dalits” (os “intocáveis” ou impuros no sistema de castas do hinduísmo, que estão abaixo das últimas quatro castas), que vivem na mais extrema pobreza e cuja maioria é composta de não cristãos.
O prelado falou com a associação humanitária católica Ajuda à Igreja que Sofre após uma onda de manifestações anti-cristãs em algumas regiões da Índia, promovida por grupos nacionalistas hindus.
A violência anti-cristã registrada nos anos de 2007 e 2008 no estado de Orissa, na Índia oriental, levou o país a tomar consciência do ódio religioso presente em algumas regiões, e sensibilizou a opinião pública para as leis anti-conversão impostas ao longo das últimas décadas no estados de Gujarat, Madhya Pradesh, Chhattisgarh, Himachal Pradesh e Orissa.
O arcebispo sublinhou que a coligação que atualmente controla o governo do estado tem apoiado a obra da Igreja junto aos dalits.
Descrevendo sua diocese como “uma Igreja principalmente de dalits”, o prelado afirmou que “o governo valoriza os esforços eclesiais”.
O objetivo principal da Igreja, comentou, é possibilitar que a população supere as condições de miséria, conscientizando-a de seus direitos e favorecendo uma formação voltada à criação de oportunidades de trabalho.
“As pessoas que ajudamos são muito pobres, e não dispomos de recursos para oferecer-lhes tudo aquilo de que necessitam”, disse o prelado, sublinhando que os dalits representam 45 mil dos cerca de 65 mil católicos da diocese.“
Tudo o que tentamos fazer é oferecer-lhes um raio de esperança para o futuro, através da assistência de saúde e educação”.
Ainda que a discriminação tenha diminuído, os dalits – especialmente nas áreas rurais – ainda são vistos como impuros, e por vezes têm acesso proibido a templos hindus, escolas e fontes de água.
Na arquidiocese de Patna, a Igreja tem respondido a esta situação organizando uma vasta rede de auxílio. Há mais de 3 mil grupos de apoio, cada qual composto por até 15 integrantes, com programas voltados para a promoção dos direitos humanos, economia doméstica e o desenvolvimento de capacidades organizativas.
“A maior parte das pessoas com as quais trabalhamos não são católicas”, disse o arcebispo.
“Dizem-nos que somos seus salvadores. Permanecem em contato conosco, mas, dadas as necessidades tão mutáveis das pessoas, não conseguimos acompanhá-los continuamente”, concluiu.
ROMA, domingo, 4 de julho de 2010 (ZENIT.org) - O arcebispo William D'Souza, de Patna, no norte da Índia, destacou a atuação dos grupos ligados à Igreja no fornecimento de auxílio de emergência a centenas de milhares de “dalits” (os “intocáveis” ou impuros no sistema de castas do hinduísmo, que estão abaixo das últimas quatro castas), que vivem na mais extrema pobreza e cuja maioria é composta de não cristãos.
O prelado falou com a associação humanitária católica Ajuda à Igreja que Sofre após uma onda de manifestações anti-cristãs em algumas regiões da Índia, promovida por grupos nacionalistas hindus.
A violência anti-cristã registrada nos anos de 2007 e 2008 no estado de Orissa, na Índia oriental, levou o país a tomar consciência do ódio religioso presente em algumas regiões, e sensibilizou a opinião pública para as leis anti-conversão impostas ao longo das últimas décadas no estados de Gujarat, Madhya Pradesh, Chhattisgarh, Himachal Pradesh e Orissa.
O arcebispo sublinhou que a coligação que atualmente controla o governo do estado tem apoiado a obra da Igreja junto aos dalits.
Descrevendo sua diocese como “uma Igreja principalmente de dalits”, o prelado afirmou que “o governo valoriza os esforços eclesiais”.
O objetivo principal da Igreja, comentou, é possibilitar que a população supere as condições de miséria, conscientizando-a de seus direitos e favorecendo uma formação voltada à criação de oportunidades de trabalho.
“As pessoas que ajudamos são muito pobres, e não dispomos de recursos para oferecer-lhes tudo aquilo de que necessitam”, disse o prelado, sublinhando que os dalits representam 45 mil dos cerca de 65 mil católicos da diocese.“
Tudo o que tentamos fazer é oferecer-lhes um raio de esperança para o futuro, através da assistência de saúde e educação”.
Ainda que a discriminação tenha diminuído, os dalits – especialmente nas áreas rurais – ainda são vistos como impuros, e por vezes têm acesso proibido a templos hindus, escolas e fontes de água.
Na arquidiocese de Patna, a Igreja tem respondido a esta situação organizando uma vasta rede de auxílio. Há mais de 3 mil grupos de apoio, cada qual composto por até 15 integrantes, com programas voltados para a promoção dos direitos humanos, economia doméstica e o desenvolvimento de capacidades organizativas.
“A maior parte das pessoas com as quais trabalhamos não são católicas”, disse o arcebispo.
“Dizem-nos que somos seus salvadores. Permanecem em contato conosco, mas, dadas as necessidades tão mutáveis das pessoas, não conseguimos acompanhá-los continuamente”, concluiu.
terça-feira, 29 de junho de 2010
São Pedro e São Paulo - 29 de Junho
Hoje, a Igreja do mundo inteiro celebra a santidade de vida de São Pedro e São Paulo. Estes santos são considerados "os cabeças dos apóstolos", por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.
Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como Seu Senhor, Jesus Cristo.
Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.
Paulo, que tinha como nome antes da conversão Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada "aos pés de Gamaliel", um dos grandes mestres da Lei da época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.
Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o Batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.
Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o "Apóstolo dos gentios".
São Pedro e São Paulo, rogai por nós!
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O que é a Missa ?
A fé apostólica confessa que a Missa, o culto surpemo da Igreja a Deus, é a renovação do sacrifício do calvário de modo incruento no altar.
No entanto para uma melhor compreensão do que seja a santa missa é preciso entender o contexto da paixão de Nosso Senhor.
No entanto para uma melhor compreensão do que seja a santa missa é preciso entender o contexto da paixão de Nosso Senhor.
1 - A rejeição de Jesus
No evangelho de São João os judeus (que rejeitam Cristo) representam toda a humanidade que se fecha a oferta salvadora de Deus em Jesus.O que estava em jogo na ação de Jesus era o advento de Deus no mundo- a rejeição de Cristo significou que os homens preferiram permanecer
presos aos poderes deste mundo. Lucas diz que “Vós o matastes – Deus porém o Ressuscitou”: assim o assassinato de Jesus no madeiro é uma ação dos seres humanos que se fecham a Deus – essa é a causa histórica de sua morte.
2 - O processo condenatório de Jesus:
É duplo:
- Político: motivado pela acusação de que Cristo desejava se tornar rei (em oposição ao César Romano)- acusação mentirosa mas embasada nos anseios populares a respeito do messias.
- Religioso: motivado pela pretensão divina de Jesus que com sua ação e pregação reinterpreta o sentido da lei e dos profetas (o que só Deus poderia fazer ) autoidentificando-se como Filho de Deus ,autor de uma nova aliança superior a antiga.
- Político: motivado pela acusação de que Cristo desejava se tornar rei (em oposição ao César Romano)- acusação mentirosa mas embasada nos anseios populares a respeito do messias.
- Religioso: motivado pela pretensão divina de Jesus que com sua ação e pregação reinterpreta o sentido da lei e dos profetas (o que só Deus poderia fazer ) autoidentificando-se como Filho de Deus ,autor de uma nova aliança superior a antiga.
3 - O sentido da Morte de Jesus
A pergunta que se impõe é : Deus quis que o Filho sofresse uma morte cruel para redimir os homens ?
Sua morte não foi fruto de um puro acidente histórico ; isso porém não significa que seus executores foram agentes cegos do plano divino.Deus permitiu os atos humanos para realizar seu projeto.Cristo inclui sua morte , infligida pelos homens , no seu infinito amor ao Pai e aos homens , de modo que a cruz que era sinal do extremo afastamento dos homens em relação a Deus (pois mataram o Senhor) se tornou causa de reconciliação
Sua morte é sacrifical pois é autodoação do Filho ao Pai, realizando no tempo , através da violência crudelíssima da crucificação , a resposta ao amor que o Pai dedica ao Filho desde toda a eternidade – portanto na cruz se revela de certo modo a vida intratrintária , ou seja a relação do Pai e do Filho no Espírito: o calvário é um evento trinitário presentificado na história.O pai converteu a oferta do Filho em expiação dos pecados , em razão dela ter sido uma oferta obediencial , restauradora da desobediência dos homens.
É na cruz do calvário que se fundará o culto cristão- Ele , O Filho prestou ao Pai o culto perfeito , ele é o cordeiro sem mácula , por sua obediência até a morte ignominiosa.Por isso o culto da Igreja a Deus (a santa missa) é a renovação do sacrifício do Filho; pois esse é o único culto aceitável , o único culto que glorifica a Deus perfeitamente : qualquer outro culto é incapaz de satifazer a Deus
Este sacrifício tem dois aspectos :
- Terrestre :Se consuma no calvário
- Celeste : Corresponde a apresentação eterna de Deus Filho crucificado ao Pai como intercessor dos homens no santuário celeste como Sumo Sacerdote.A missa presentifica o aspecto celeste do sacrifício de Cristo já que nela não há derramamento de sangue como no calvário(sendo um sacrifício incruento) .
Sua morte não foi fruto de um puro acidente histórico ; isso porém não significa que seus executores foram agentes cegos do plano divino.Deus permitiu os atos humanos para realizar seu projeto.Cristo inclui sua morte , infligida pelos homens , no seu infinito amor ao Pai e aos homens , de modo que a cruz que era sinal do extremo afastamento dos homens em relação a Deus (pois mataram o Senhor) se tornou causa de reconciliação
Sua morte é sacrifical pois é autodoação do Filho ao Pai, realizando no tempo , através da violência crudelíssima da crucificação , a resposta ao amor que o Pai dedica ao Filho desde toda a eternidade – portanto na cruz se revela de certo modo a vida intratrintária , ou seja a relação do Pai e do Filho no Espírito: o calvário é um evento trinitário presentificado na história.O pai converteu a oferta do Filho em expiação dos pecados , em razão dela ter sido uma oferta obediencial , restauradora da desobediência dos homens.
É na cruz do calvário que se fundará o culto cristão- Ele , O Filho prestou ao Pai o culto perfeito , ele é o cordeiro sem mácula , por sua obediência até a morte ignominiosa.Por isso o culto da Igreja a Deus (a santa missa) é a renovação do sacrifício do Filho; pois esse é o único culto aceitável , o único culto que glorifica a Deus perfeitamente : qualquer outro culto é incapaz de satifazer a Deus
Este sacrifício tem dois aspectos :
- Terrestre :Se consuma no calvário
- Celeste : Corresponde a apresentação eterna de Deus Filho crucificado ao Pai como intercessor dos homens no santuário celeste como Sumo Sacerdote.A missa presentifica o aspecto celeste do sacrifício de Cristo já que nela não há derramamento de sangue como no calvário(sendo um sacrifício incruento) .
Jesus entrou no céu a fim de comparecer diante da face de Deus a nosso favor ; no céu Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio – ele é o centro e o ator principal da ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai nos céus.(Ap 4).
A missa é a manifestação no tempo dos homens daquela apresentação que Jesus faz permanentemente de si ao Pai no santuário celestial intercedendo por nossa salvação apresentando seus méritos.
Por isso se diz que na Crus Cristo obteve nossa salvação mas não a aplicou , na missa ele nada obtém (por que já morreu na cruz ) mas tudo aplica , pois nela o Padre agindo em nome de Cristo cabeça apresenta ao Pai o cordeiro imolado no calvário de modo incruento.
Portanto a missa é a presentificação da liturgia celestial que consiste no culto que o Filho imolado presta ao Pai no céu oferecendo-se eternamente com seu corpo sangue alma e divindade pela redenção do gênero humano.
A missa é o céu na terra.
A missa é a manifestação no tempo dos homens daquela apresentação que Jesus faz permanentemente de si ao Pai no santuário celestial intercedendo por nossa salvação apresentando seus méritos.
Por isso se diz que na Crus Cristo obteve nossa salvação mas não a aplicou , na missa ele nada obtém (por que já morreu na cruz ) mas tudo aplica , pois nela o Padre agindo em nome de Cristo cabeça apresenta ao Pai o cordeiro imolado no calvário de modo incruento.
Portanto a missa é a presentificação da liturgia celestial que consiste no culto que o Filho imolado presta ao Pai no céu oferecendo-se eternamente com seu corpo sangue alma e divindade pela redenção do gênero humano.
A missa é o céu na terra.
Por que você não sabia disso?
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Da festa do nascimento de São João Batista - (Catecismo Maior de São Pio X)
189. Que festa celebra a Igreja no dia 24 de junho?
No dia 24 de junho, a Igreja celebra a festa do nascimento de São João Batista.
190. Quem foi São João Batista?
São João Batista foi o Precursor de Jesus Cristo.
191. Por que foi São João Batista chamado Precursor de Jesus Cristo?
São João Batista foi chamado Precursor de Jesus Cristo porque foi mandado por Deus a anunciar Jesus Cristo aos hebreus, e a prepará-los para O receberem.
192. Por que honra a Igreja com uma festa especial o nascimento de São João Batista?
A Igreja honra com uma festa especial o nascimento de São João porque esse nascimento foi santo e trouxe ao mundo uma santa alegria.
193. Não nasceu São João Batista em pecado, como os outros homens?
São João Batista não nasceu em pecado, como os outros homens, porque foi santificado no seio de sua mãe Santa Isabel, pela presença de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem Maria.
194. Por que se alegrou o mundo com o nascimento de São João Batista?
Alegrou-se o mundo com o nascimento de São João Batista, porque este lhe indicava estar próxima a vinda do Messias.
195. Como Deus fez conhecido São João Batista, logo desde o seu nascimento, como precursor de Jesus Cristo?
Deus fez conhecido São João Batista, logo desde o seu nascimento, como precursor de Jesus Cristo, com vários milagres, e principalmente com este: seu pai Zacarias, que perdera a fala, recuperou-a subitamente, prorrompendo no piedoso cântico Benedictus Dóminus Deus Israel, com o qual deu graças a Deus pelo cumprimento da promessa feita a Abraão, de mandar o Salvador, e se congratulou por seu próprio filho ser o precursor do Messias.
196. Qual foi o teor de vida de São João Batista?
São João Batista, desde a juventude, retirou-se para o deserto, onde passou a maior parte de sua vida, e uniu constantemente à inocência dos costumes uma austeríssima penitência.
197. De que maneira morreu São João Batista?
São João Batista foi degolado por ordem de Herodes Antipas, por causa da santa liberdade com que repreendera a vida escandalosa deste príncipe.
198. Que devemos imitar em São João Batista?
Em São João Batista, devemos imitar:
1º, o amor ao recolhimento, à humildade, à mortificação;
2º, o zelo em fazer conhecer e amar Jesus Cristo;
3º, a fidelidade para com Deus em preferir ao respeito humano a sua divina glória, e a salvação do próximo.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Em defesa de Bento XVI
Autor: Dom Antonio Rossi Keller, Bispo de Frederico Westphalen
Publicação original: Abril de 2010
Há algum tempo, nós católicos estamos percebendo uma verdadeira campanha, bastante orquestrada por sinal, para desacreditar a Igreja e, de forma especial, aquele Pastor que Deus lhe deu, o Santo Padre, o Papa Bento XVI.
As razões para esta campanha difamatória são bastante compreensíveis. Já antes de ser eleito Papa, Joseph Ratzinguer era conhecido como o “Panzer” alemão da Igreja Católica, ocupando o difícil e incômodo cargo de Prefeito da Congregação para a Defesa da Fé, Dicastério da Cúria romana responsável em “promover e em tutelar a doutrina da fé e dos costumes em todo o orbe católico” (Constituição Apostólica “Pastor Bonus”, do Santo Padre o Papa João Paulo II, n. 48). Assim, durante muitos anos à frente desta importante Congregação, o atual Papa, no cumprimento de seu dever, granjeou a fama de “homem duro”, insensível e implacável. Sua eleição para o Papado provocou pruridos de contestação dentro e fora da Igreja.
Já como Papa, Bento XVI provou que a fama de insensibilidade ou de possível dureza frente a problemas e situações não lhe é aplicada com justiça. É um homem afável, simples, compreensivo e muito santo.
O atual Papa é, antes de tudo, homem de Deus e homem da Igreja. Sabe separar o pecado do pecador. Sabe dizer as verdades com a suavidade da caridade. Sabe, em sua alta missão pastoral, ensinar, corrigir, admoestar e mesmo castigar quando isto se faz necessário.
Mas Bento XVI, aos olhos do mundo extremamente paganizado, tem um defeito mortal: é o homem da coerência, que não “vende” as verdades da fé, da moral, da disciplina cristãs a preço de bananas. Ou seja, não transige na questão dos princípios. É um homem de única peça, que não teme o que os outros pensam ou dizem de sua ação pastoral à frente da Igreja. Conseqüentemente, é alguém que incomoda, alguém que enfrenta os diversos “lobbys” que hoje pretendem impor suas visões relativistas e subjetivistas. Bento XVI, com sua autoridade moral de teólogo e de humanista ganhou o ódio daqueles que defendem, por exemplo, a liberalização do aborto, das uniões homossexuais, da eutanásia, etc. Estes movimentos tem suas forças mobilizadoras, que influem poderosamente na opinião pública. Para estes grupos, sempre bem organizados, a Igreja deveria mudar seu ensinamento, “adocicar” sua Doutrina, especialmente em relação à moral. Assim a questão escandalosa e vergonhosa dos casos constatados de pedofilia entre uns poucos eclesiásticos foi como servir “um prato cheio” a estes grupos de pressão. Não é a Igreja o paradigma da moralidade? E como pode permitir no seu interior tais escândalos? Melhor ainda seria encontrar um único caso em que, de alguma maneira, direta ou indiretamente, o Santo Padre pudesse estar envolvido... Sabe-se de um jornal da Alemanha que oferece milhões de euros para quem apresentar algum caso contundente, que envolva a pessoa de Bento XVI.
Nós católicos, com a nossa Igreja e com o nosso Pastor Supremo, vamos sulcando estes mares atribulados. A tempestade parece não ter fim. Possivelmente, ainda outros escândalos serão trazidos à luz.
Cabe-nos, a meu ver, algumas atitudes de fundo.
Primeiramente, o reconhecimento do mal que alguns pastores da Igreja ou membros de Institutos religiosos produziram, com estas atitudes irresponsáveis e doentias. O pan sexualismo que atingiu nosso mundo, depois dos anos sessenta, é sem dúvida, um dos responsáveis por todo este problema que hoje afeta e aflige a Igreja. Desleixou-se muito na seleção de candidatos e na formação afetiva oferecida em muitos seminários e casas de formação. Nossas crianças e nossos jovens tem o direito de encontrar na Igreja um ambiente sadio, onde se ensine a verdade sobre a sexualidade, na obediência amorosa às leis de Deus.
Em segundo lugar, é preciso olhar para o futuro, e preparar bem nossos futuros padres e religiosos, fazendo-os compreender que a vocação ao ministério ou à vida religiosa é um chamado de Deus à santidade e à coerência de vida. Não há lugar nos quadros hierárquicos da Igreja e na vida religiosa para quem não é capaz de amar de forma sadia, segundo o amor do Coração de Jesus.
Em terceiro lugar, é preciso rezar muito pela Igreja e pelo Santo Padre, o Papa, bem como pelos bispos, padres e religiosos em geral. Mas, de forma muito especial, neste momento difícil da História da Igreja, é preciso estar sempre particularmente unidos ao Papa, que sofre pressões inimagináveis. Não podemos abandoná-lo nesta hora, e assim como em relação a Pedro que “estava encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele, a Deus” (Atos, 12,5), nós também não podemos abandonar o Papa, e devemos rezar muito por ele.
Como já expressei em outra oportunidade, a Igreja vive um momento de purificação. E purificação é Graça de Deus, redunda sempre em renovação. Folhas secas e frutos apodrecidos cairão por terra. Sobrarão folhas e frutos verdejantes.
Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Publicação original: Abril de 2010
Há algum tempo, nós católicos estamos percebendo uma verdadeira campanha, bastante orquestrada por sinal, para desacreditar a Igreja e, de forma especial, aquele Pastor que Deus lhe deu, o Santo Padre, o Papa Bento XVI.
As razões para esta campanha difamatória são bastante compreensíveis. Já antes de ser eleito Papa, Joseph Ratzinguer era conhecido como o “Panzer” alemão da Igreja Católica, ocupando o difícil e incômodo cargo de Prefeito da Congregação para a Defesa da Fé, Dicastério da Cúria romana responsável em “promover e em tutelar a doutrina da fé e dos costumes em todo o orbe católico” (Constituição Apostólica “Pastor Bonus”, do Santo Padre o Papa João Paulo II, n. 48). Assim, durante muitos anos à frente desta importante Congregação, o atual Papa, no cumprimento de seu dever, granjeou a fama de “homem duro”, insensível e implacável. Sua eleição para o Papado provocou pruridos de contestação dentro e fora da Igreja.
Já como Papa, Bento XVI provou que a fama de insensibilidade ou de possível dureza frente a problemas e situações não lhe é aplicada com justiça. É um homem afável, simples, compreensivo e muito santo.
O atual Papa é, antes de tudo, homem de Deus e homem da Igreja. Sabe separar o pecado do pecador. Sabe dizer as verdades com a suavidade da caridade. Sabe, em sua alta missão pastoral, ensinar, corrigir, admoestar e mesmo castigar quando isto se faz necessário.
Mas Bento XVI, aos olhos do mundo extremamente paganizado, tem um defeito mortal: é o homem da coerência, que não “vende” as verdades da fé, da moral, da disciplina cristãs a preço de bananas. Ou seja, não transige na questão dos princípios. É um homem de única peça, que não teme o que os outros pensam ou dizem de sua ação pastoral à frente da Igreja. Conseqüentemente, é alguém que incomoda, alguém que enfrenta os diversos “lobbys” que hoje pretendem impor suas visões relativistas e subjetivistas. Bento XVI, com sua autoridade moral de teólogo e de humanista ganhou o ódio daqueles que defendem, por exemplo, a liberalização do aborto, das uniões homossexuais, da eutanásia, etc. Estes movimentos tem suas forças mobilizadoras, que influem poderosamente na opinião pública. Para estes grupos, sempre bem organizados, a Igreja deveria mudar seu ensinamento, “adocicar” sua Doutrina, especialmente em relação à moral. Assim a questão escandalosa e vergonhosa dos casos constatados de pedofilia entre uns poucos eclesiásticos foi como servir “um prato cheio” a estes grupos de pressão. Não é a Igreja o paradigma da moralidade? E como pode permitir no seu interior tais escândalos? Melhor ainda seria encontrar um único caso em que, de alguma maneira, direta ou indiretamente, o Santo Padre pudesse estar envolvido... Sabe-se de um jornal da Alemanha que oferece milhões de euros para quem apresentar algum caso contundente, que envolva a pessoa de Bento XVI.
Nós católicos, com a nossa Igreja e com o nosso Pastor Supremo, vamos sulcando estes mares atribulados. A tempestade parece não ter fim. Possivelmente, ainda outros escândalos serão trazidos à luz.
Cabe-nos, a meu ver, algumas atitudes de fundo.
Primeiramente, o reconhecimento do mal que alguns pastores da Igreja ou membros de Institutos religiosos produziram, com estas atitudes irresponsáveis e doentias. O pan sexualismo que atingiu nosso mundo, depois dos anos sessenta, é sem dúvida, um dos responsáveis por todo este problema que hoje afeta e aflige a Igreja. Desleixou-se muito na seleção de candidatos e na formação afetiva oferecida em muitos seminários e casas de formação. Nossas crianças e nossos jovens tem o direito de encontrar na Igreja um ambiente sadio, onde se ensine a verdade sobre a sexualidade, na obediência amorosa às leis de Deus.
Em segundo lugar, é preciso olhar para o futuro, e preparar bem nossos futuros padres e religiosos, fazendo-os compreender que a vocação ao ministério ou à vida religiosa é um chamado de Deus à santidade e à coerência de vida. Não há lugar nos quadros hierárquicos da Igreja e na vida religiosa para quem não é capaz de amar de forma sadia, segundo o amor do Coração de Jesus.
Em terceiro lugar, é preciso rezar muito pela Igreja e pelo Santo Padre, o Papa, bem como pelos bispos, padres e religiosos em geral. Mas, de forma muito especial, neste momento difícil da História da Igreja, é preciso estar sempre particularmente unidos ao Papa, que sofre pressões inimagináveis. Não podemos abandoná-lo nesta hora, e assim como em relação a Pedro que “estava encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele, a Deus” (Atos, 12,5), nós também não podemos abandonar o Papa, e devemos rezar muito por ele.
Como já expressei em outra oportunidade, a Igreja vive um momento de purificação. E purificação é Graça de Deus, redunda sempre em renovação. Folhas secas e frutos apodrecidos cairão por terra. Sobrarão folhas e frutos verdejantes.
Dom Antonio Carlos Rossi Keller
sábado, 5 de junho de 2010
Conversão de anglicano - Não são quaisquer fiéis!
Com o recente anúncio da conversão dos anglicanos tradicionalistas da TAC e do restabelecimento do diálogo com os anglo-católicos oficialistas da Forward in Faith, algumas idéias nos vêm à mente.
Não são simplesmente novos católicos. Não são quaisquer fiéis. São excelentes fiéis, muito bem formados, acostumados a ler a Bíblia, conhecedores da Tradição Apostólica a tal ponto que se convenceram de que, por ela, só se pode ser católico apostólico romano.
Não são simplesmente novos católicos. Não são quaisquer fiéis. São excelentes fiéis, muito bem formados, acostumados a ler a Bíblia, conhecedores da Tradição Apostólica a tal ponto que se convenceram de que, por ela, só se pode ser católico apostólico romano.
São bispos e padres acostumados a pregar doutrina sólida, não qualquer vento relativista. Com experiência missionária, com aquela gana, que ainda se mantém nas comunidades protestantes, de levar o mundo para Cristo.
Fiéis, padres e bispos que amam tanto a Cristo e a Igreja que tiveram a coragem de romper com sua comunidade protestante. E que amam, além disso, uma liturgia bem celebrada, com características medievais, dado que o antigo rito inglês de Sarum está bem enraizado em seus ofícios.
Não nos esqueçamos também que a TAC já era uma dissidência do anglicanismo oficial de Cantuária, por considerá-lo liberal. Ou seja, não vamos receber ex-anglicanos, agora católicos, relativistas, progressistas, modernistas. Pelo contrário: teremos em torno de 400 mil novos católicos plenamente ortodoxos, defensores da liturgia, que preservam batinas, casulas, sobrepelizes, incensos, latim, vernáculo bem traduzido, versus Deum, que fazem missões, que não querem manter os povos na ignorância, mas levá-los à adoração de Jesus Cristo, que são devotíssimos da Virgem Maria de Walsingham, que enfrentaram o secularismo de sua própria denominação anglicana a ponto de criarem outra, a Traditional Anglican Communion, e, por fim, se converterem ao catolicismo romano.
Fiéis, padres e bispos, e suas esposas e filhos, que vivem o cristianismo dentro e fora das paredes dos templos, e que são absolutamente contra o modernismo, o aborto, o “casamento” gay, a ordenação de homossexuais e de mulheres.
Recebemos não apenas 400 mil almas, mas 400 mil grandes soldados dispostos a lutar por Cristo, 400 mil verdadeiros apóstolos da tradição, da fidelidade ao Magistério, da liturgia correta, da ortodoxia, inimigos do relativismo, do secularismo, do laicismo. Bem próprio do pontificado de Bento XVI.
Com tantos católicos de meia-tijela, que querem fazer uma religião a seu próprio gosto, ou, como se disse do presidente Lula, “católicos à sua maneira”, não podemos senão nos regozijar com essa benfazeja notícia.
Autor: Dr. Rafael Vitola Brodbeck
Publicação original: Outubro de 2009
Extraído de http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/10/21/conversao-de-anglicanos-nao-sao-quaisquer-fieis/
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